sexta-feira, 6 de junho de 2008

ARQUIVOS DA MEMÓRIA, III, 2008





o Centro de Estudos de Etnologia Portuguesa da UNL, editou mais um interessante número da revista "Arquivos da Memória. o presente volume intitula-se: "Mundos Urbanos e Contemporaneidade ". uma particularidade interessante a destacar e que é de enaltecer ou até mesmo abençoar, prende-se com o facto da revista estar na integra disponivel online...


BIBLIOGRAFIA A DEVORAR...


uma "introdução" muito interessante...prático e bastante útil.

DIVULGO...

CONVITE À PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES, RECÉM-LICENCIADOS E MESTRANDOS

A Associação Portuguesa de Antropologia (APA) e o Centro de Estudos de Antropologia Social (CEAS/ISCTE) convidam todos os estudantes, recém-licenciados e mestrandos a participar numa sessão plenária de debate sob iniciativa da APA para a criação, divulgação e promoção do perfil do Antropólogo.

A participação de todos é decisiva e por isso contamos com a vossa presença neste encontro que terá lugar no dia 2 de Julho de 2008 pelas 17.30 na sala C104.


DEBATE

O Perfil do Antropólogo

"O Perfil do Antropólogo: conversa sobre um estudo a propósito das saídas profissionais dos antropólogos em Portugal – solicitação de participação"



Oradores:

Susana Viegas (presidente APA)

Paulo Raposo (CEAS/ISCTE)

Catarina Fróis (Delegada APA/ISCTE)

quarta-feira, 28 de maio de 2008

"AGORA JÁ SE COMEM FILHOSES TODO O ANO"

Filhoses, Padaria da Srª Patrocinia, Penha Garcia, 2006. 



este foi um dos temas tratados num trabalho de investigação sobre "Doces de Festa" no concelho de Idanha-a-Nova, do qual resultou uma exposição museológica no Polo da Gastronomia de Monsanto. partir de um doce, como por exemplo a filhó, que pauta uma determinada ritualidade no calendário festivo anual e que na actualidade passou a ser enquadrado nos padrões de consumo quotidianos, é motivo capital para questionarmos e avaliarmos  estes novos padrões de consumo e seus contextos nos quotidianos destas populações. como se estruturam na actualidade estes novos modos de comer?  e a ritualidade alimentar associada ao calendário festivo, sofre alterações? quais? o que se perde, o que se ganha? como se organizam socialmente estes alimentos ligados a uma ritualidade alimentar? e quando passam ser consumidos fora dessa ritualidade, como se organizam? quem os faz? quem os vende? etc, etc...

uma etnografia dos doces de festa no concelho de Idanha-a-Nova:

as filhoses, Rosmaninhal, Ti Branca. 2006.
"antigamente a gente amassava-as e deixava-as a finter um bocadinho e depois terevamos uma bola e tendiamos no joelho e depois fritavam-se na sertã ao lume. agora já  se compram nas lojas."

ou seja, todas as sociabilidades geradas em torno deste alimento tendem a perder-se. mas, por outro lado, outras se forjam com novos contornos...


domingo, 25 de maio de 2008

OBJECTOS DE PASTOR

recipiente de plástico onde o pastor guarda alguns alimentos (queijo, chouriço, azeitonas, toucinho, etc); o pastor chama-lhe corna, embora este exemplar não seja elaborado de corno como os mais antigos, mantêm o mesmo formato. objecto pertencente a João Joaquim,Zebreira.


com a invasão de todo o tipo de embalagens de plástico nos consumos domésticos outros materiais foram sendo esquecidos. o objecto que apresento é um exemplo disso mesmo, pois com o fim das vacas de trabalho, findaram também o aproveitamento de cornos para se fazerem as denominadas "cornas" que serviam para transporte dos alimentos durante as jornadas de trabalho. pois, a boa capacidade de isolamento do corno permitia conservar em boas condições alguns alimentos durante as longas jornadas de trabalho. os pastores usavam-nas nas suas longas deslocações através campos, raro era o pastor que não usava cornas onde guardava o conduto. haviam mesmo alguns mais artistas que inclusivé as decoravam com encantadores desenhos e estranhas simbologias, apenas fazendo uso do bico da navalha. embora não seja feito de corno mas sim de plástico, o objecto que apresento ilustra bem a proliferação do plástico nos ambientes domésticos. porém, mantêm o mesmo formato das cornas, apenas se perdem as qualidades isolantes do corno, as formas de o preparar e o gosto que os alimentos adquiriam dentro das ditas cornas. de resto, a funcionalidade continua a mesma.

Ti João, 80 anos, Zebreira. 2006.

"agora uso umas cornas de plástico, daqueles coisos onde vêm o chocolate para a canalha. preparo-o e serve igual. estes são melhores que as marmitas de aluminio. na carrinha onde dormia ao pé da barragem tenho lá cornas antigas. a gente comprava cornos ou davam-nos. muitos destes cornos vinham do Porto, lá é que haviam as vacas com aqueles cornos grandes. agora acabou tudo."